IndiviDualidade

5 05 2008

Caro (Insira Nome Aqui),

Vou começar atestando um fato. Tenho uma amiga. Tenho uma amiga com concepções e princípios primariamente diferentes dos meus. Essa minha amiga, vamos chamá-la de Vanessa, é loucamente apaixonada pelo mesmo rapaz a anos. Sempre ela esteve ao lado desse rapaz, apoiando-o, guardando seus segredos, consolando sua mágoas, apenas para receber reconhecimento algum. Nunca ocorreu a Vanessa expressar seu amor, livrar-se do fardo que é estar presa a um sentimento, isso porque ela está a par da reação do rapaz à notícia. Ele a deixaria, a rejeitaria e deixaria seu lado, talvez por medo de se envolver, talvez por medo de machucá-la mais, talvez para não voltar mais, seja qual for o motivo ou a duração da separação, eles se afastariam. E para Vanessa, isso seria mais doloroso que passar uma vida em silente sofrimento.

Veja bem, (Insira Nome Aqui), eu não entendia essa minha amiga, como e porque ela agia de tal jeito. Não fazia sentido pra mim. Eu jamais faria o que ela faz, por isso. Eu sou diferente dela. Eu jamais deixaria de verbalizar um sentimento, eu jamais apoiaria um homem cegamente, sem me utilizar de seus segredos para conquistá-lo, e eu nunca me deixaria ser consumida por uma coisa trivial como paixão, em silêncio. Não, eu não sou esse tipo de mulher. Eu não sou uma Vanessa. Eu sou uma Marin, eu me declararia, seria rejeitada talvez, mas mas no final levantaria a cabeça, criticaria a má-decisão de pra quem eu tivesse me declarado, e me afastaria, para ir atrás de uma outra conquista. Contudo, no último ano, eu fui uma Vanessa. Eu me apaixonei, e agi como uma Vanessa. Não sei se você compreende, (Insira Nome Aqui), mas para uma mulher orgulhosa como eu, ser uma Vanessa é… Ultrajante.

Tenho muito orgulho de ser uma Marin. Muito orgulho da minha individualidade, sem que o sufixo “dualidade” se destaque concedendo um duplo sentido. Gosto das características que me fazem única. Acredito ter uma auto-estima saudável graças a isso. E por isso, (Insira Nome Aqui), que estou lhe direcionando esta carta. Eu escolhi você, dentre muitos outros, porque lhe considero digno de meu respeito, de minha admiração e de meu afeto. Mas jamais do meu amor. Pode parecer cruel, mas meu amor próprio não deve ser inferior ao meu amor pelos outros. Isso não faz de mim uma pessoa egoísta, eu sacrificaria tudo o que possível para ajudar um amigo em necessidade, daria minha vida por um membro da família, estaria disposta a dedicar meu tempo ao progresso da sociedade, contudo, quando referente a um amante, a um amado, a um namorado, eu simplesmente não posso arriscar minha individualidade.

Cansei de ser dualista, (Insira Nome Aqui), vou ser eu mesma, e agir do modo que se encaixa mais comigo. Sim, eu amo você, (Insira Nome Aqui). Mas não, eu não preciso de sua presença ao meu lado para ser feliz. Então adeus, (Insira Nome Aqui). Que esta não seja a última vez que nos comunicamos, mas que seja a primeira vez que nos vemos como indivíduos. E espero, sinceramente, que você seja feliz com quem escolher para si. Quanto a mim? Eu sobreviverei, eu sempre sobrevivo. E tenho esperanças que, no final, eu também encontre alguém para mim.

Sinceramente,

Marin


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Uma resposta

6 08 2008
Adriano Eliezer

Encontrar alguém vai ser dificil enquanto “Paixão” estiver na categoria de “Trivial”. Paixão não é trivial. Atração é trivial.

Paixão é a primeira explosão do amor não fraternal. É como o primeiro suspiro do ser que ganha a vida e o mundo ao sair do ventre. Cego e intenso. Gerador de vida. Nada trivial…

“Atração” é trivial e banal. Bem banal (izada).

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